Segundo o Indicador Serasa Experian de Inadimplência do Consumidor, são mais de 60 milhões de pessoas com dívidas atrasadas no país.

 

Em recente levantamento, a faixa etária mais inadimplente continua sendo a dos adultos: 46,8% das pessoas com idade entre 31 e 40 anos possuem, em média, 4 dívidas em seu CPF. As dívidas distribuem-se de forma equilibrada entre homens e mulheres, com os homens apresentando apenas uma leve taxa superior à das consumidoras, de 0,9%.

 

Entre idosos, os níveis de inadimplência foram os que mais subiram nos últimos 2 anos, 35% dos brasileiros com mais de 61 anos de idade estavam com suas contas atrasadas, de acordo com último levantamento do Serasa.

 

Dívidas também afetam 14,9% dos jovens com idade entre 18 e 25 anos.

 

Como previsto, esse problema começou a refletir nas taxas de condomínio, de modo que os atrasos se acumulam e já impedem simples manutenções ou melhorias.

 

Na opinião do gestor de condomínios Rafael Irani, responsável pela gestão de vários condomínios da Grande Florianópolis, o problema afeta bastante o desempenho financeiro. Dependendo do nível de inadimplência, até as manutenções são afetadas.

 

“Sou consultor há quase 10 anos, porém nunca havíamos experimentado tantos atrasos que veem crescendo nos últimos 2 anos. Um dos condomínios que administro já há 8 anos não apresentava deficiências desse tipo, mas com o advento da crise a alguns setores da economia, isso impactou no pagamento das taxas”, diz.

 

Em alguns condomínios pesquisados, dívidas ultrapassam o percentual nacional, que é de aproximadamente 15%. E, embora, o percentual de

atraso nos condomínios administrados pelo síndico profissional Rafael Irani, fiquem muito abaixo da média nacional, ele concorda que ainda assim atrapalha bastante muitos projetos de benfeitoria.

 

Seguindo a tendência de grandes empresas, o consumidor comum tende a priorizar o pagamento de dívidas mais altas, como faturas bancárias e quaisquer dívidas que gerem elevada cobrança de juros, multa e, sobretudo, aquelas que incorrem em responsabilização judicial.

 

Parece mesmo que as contas de condomínio ficam em segundo plano quando competem com outras contas mais caras, como dívidas bancárias. Essa é a mesma percepção de síndicos como o Irani, pois, segundo ele, como as pessoas necessitam mais de um banco, acabam se sentindo mais obrigadas a fazerem um acordo com esse tipo de instituição. O condômino pode preferir dever para o condomínio do que para um banco, devido a taxas de juros maiores, por ser uma instituição mais rígida na cobrança e mais cara, principalmente quando feito um parcelamento de dívida, porém, na contramão, o condomínio apresenta, normalmente, juros de 1% ao mês e quando está precisando muito, acaba fazendo uma oferta de renegociação para conseguir receber.

 

“Acredito que é bem mais fácil para o morador, ao colocar tudo na ponta do lápis, preferir pagar o cheque especial, ao invés da taxa do condomínio, por exemplo”, conclui Irani.

 

Devido a essa quantidade de forças que se somam contra a estabilidade de recursos financeiros, algumas medidas para garantir a receita do condomínio precisam passar pelo campo jurídico, formalizando-se punições previstas no Regimento Interno e no Código Civil; e, sobretudo, blindando o síndico e o condomínio contra eventuais ações indenizatórias por danos morais. Sendo, por essa razão, a melhor alternativa, a terceirização dessas cobranças.